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No início de maio um anúncio de um grande evento Geek de primeira edição em São Paulo. 

O evento prometia ser uma experiência a nível CCXP, anunciando a vinda da Millie Bobby Brown, atriz conhecida pelo papel de Eleven em Stranger Things.

Com uma organização desconhecida pelo meio geek/ otaku, ingressos sendo vendidos a preços iniciais de R$200 (a meia) e, até então, sem anúncios de patrocinadores ou outras atrações tudo ficava meio no "ar".

O UCCCONX iria acontecer no final de julho no Anhembi mas nas redes sociais e no site do evento pouca ou nenhuma informação era encontrada. Regras sobre o evento, concursos, outros convidados, mapa do evento... Nada era revelado.

Como se não bastasse o mistério e a pouca informação começaram os primeiros rumores de que funcionários não haviam sido pagos. Alguns poucos posts no twitter sem maiores detalhes ainda não previam - mas já mostravam os sinais- do que seria o evento.

Paralelamente, começaram a surgir as primeiras manifestações dos artistas que tinham interesse de se inscrever para o Alley.

Assim como nas redes sociais do Ucconx , as cláusulas de inscrição não eram claras quanto aos valores até que, com muita insistência, conseguiram trazer tona o que seria um contrato abusivo: 30% das vendas, com um sistema que só repassaria o valor dos outros 70% aos artistas 30 dias após a convenção. Claro que houve comoção e tentaram remendar: uma taxa fixa de R$800 + 5% para o evento.  Com a negativa (justa) dos interessados e “negociação”  vergonhosa por parte do evento  até o último minuto. Em uma proposta mais modesta (de apenas 5% das vendas, ainda sim com os valores sendo repassados aos artistas em 30 dias após o evento) acabou por chegar no resultado de apenas 6 participantes na quarta-feira(27/07).



Reprodução:instagram


                Conforme o evento se aproximava, tanto na negociação com os artistas do Alley como na divulgação das regras e afins do UCCONX, uma coisa era lugar comum: informações que eram dadas e apagadas conforme a manifestação do público. As desculpas eram seguidas por “não foi bem isso que quisemos dizer” ou “vocês entenderam errado”, ou simplesmente sumiam como foi o caso da proibição da entrada de Câmeras profissionais e canetas, com as regras do evento sendo postadas em Stories do Instagram.

                Mesmo com esses “poréns”, nas semanas próximas ao evento a UCCONX começou a anunciar outros atores internacionais, os patrocinadores apareceram, mais cosplayers foram chamados como embaixadores, influencers foram convidados e, com certeza, muito dinheiro foi investido na divulgação.

 Se antes os ingressos tinham sido cedidos e vendidos com muito critério (como se fosse realmente um evento VIP), agora vários estavam sendo distribuídos em escolas e em sorteios. Alguns colegas de imprensa que tiveram as credenciais negadas previamente receberam surpreendentes e-mails de que agora estavam liberados.

                Para quem é novo no meio, provavelmente tinha a esperança de um grande evento acontecendo, talvez tenha até comprado ingressos. Já os para os frequentadores mais experientes, tudo isso- no mínimo- deixou um pequeno alerta vermelho ligado ao mesmo tempo a curiosidade aguçada. Quem conseguiu, foi em primeira mão conferir o que iria rolar.

                Na quarta-feira (primeiro dia), o cenário: um evento vazio- de atrações e de público- com estandes que ainda não haviam sido completamente montados. Cancelamentos de atrações e artistas e um pavilhão gigantesco do Anhembi subutilizado.

"print" do primeiro anuncio do Cancelamento de George Takei e Millie Bobby Brown


                Uma cobertura (muito divertida) da Cosplayer Pyon (instagram:laurapyon.cos) deixou os curiosos a par de tudo que acontecia (ou não acontecia) nessa UCCONX.

                Com tanta curiosidade, a UCCONX esteve nos destaques do twitter mas não por boas razões. Mais denúncias (dessa vez detalhadas) de funcionários e ex-funcionários contra o evento.

                E aqui eu preciso abrir um pequeno “parênteses” para uma observação extremamente pessoal, mas que julgo relevante:

                Eu sou frequentadora de eventos a muito, muito tempo. Com um pouco menos de tempo tenho trabalhado ativamente tanto como organizadora de eventos em si, como de espaços temáticos, dessa forma entendo um pouco do que acontece nos bastidores.

                Desorganização, cancelamento e imprevistos não são o incomum na área, muito pelo contrário: infelizmente, são a regra. Muito do que acontece “por trás os panos” não é revelado para os frequentadores e fica apenas entre quem está trabalhando.

Existe quase um pacto silencioso em não se “falar mal” do evento em que se está. Isso porquê, - organização a parte- existe muito trabalho, amor, dedicação e- claro- dinheiro envolvido. Se algo está errado, se trabalha o dobro para fazer “dar certo” e trazer uma boa experiência pro público.

                Logo, quando se tem relatos dos próprios funcionários “falando mal” do evento que contribuíram para acontecer, pode-se ter a certeza de que- se forem verdadeiros- a situação ficou absolutamente insustentável.

                Os relatos da conta do twitter @hugoevmelo1 são chocantes. Se comprovados verdadeiros, acredito eu, que seriam motivo até para uma interdição.

Print do inicio do "fio" pela conta do @hugoevmelo1


                Hoje, (quinta-feira) é o segundo dia da UCCONX. Com uma imagem tão negativa logo no primeiro dia fica difícil prever exatamente o que vai acontecer. Será que a organização será capaz de se recuperar e tornar o evento mais atrativo ou resolver as pendencias com os funcionários que alegam não terem recebido? O público vai desistir ou vai ser atraído pela curiosidade da “má fama” do evento?